quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

O confronto : Capitulo 10:

Soou a sineta. Não havia tempo para voltar ao refeitório e informar a Bonnie e Meredith. Foi a sua próxima aula, passando pelos rostos indiferentes e os olhares hostis que estavam se transformando em familiares demais por esses dias.
Foi difícil, na aula de história, não olhar fixamente para Caroline, não deixar que Caroline soubesse o que sabia. Alaric perguntou por Matt e Stefan, que estavam ausentes pelo segundo dia consecutivo, e Elena se deu de ombros, sentindo-se desprotegida e exposta. Não confiava naquele homem de sorriso juvenil e olhos avelã e sua ânsia de informação sobre a morte do Sr. Tanner. E Bonnie, que se limitava a contemplar a Alaric espiritualmente, não servia de nenhuma ajuda.
Depois da aula, captou um pedaço da conversa de Sue Carson.
...está de férias da faculdade..., não lembro exatamente de onde...
Já estava cansada de manter um discreto silêncio. Girou de volta e falou diretamente com Sue e a garota com quem ela falava, interrompendo-as sem ser convidada na discussão. 
Se eu fosse você, — disse a Sue , — manteria distancia de Damon. Falo sério.
Houve uma risada sobressaltada e embaraçado. Sue era uma das poucas pessoas do colégio que não tinha evitado Elena, e agora parecia querer tê-lo feito.
Quer dizer, — disse a outra garota em tom vacilante, — que ele também te pertence? Ou...
O riso da própria Elena foi discordante.
Quero dizer que é perigoso, — respondeu. — Não estou brincando. 
Se limitaram a olhá-la, e Elena guardou a violência de ter que responder girando os calcanhares e se distanciando. Escolheu a Bonnie no grupo extra-escolar de seguidores de Alaric e se encaminhou ao armário de Meredith.
Aonde vamos? Pensávamos que íamos falar com Caroline. 
Agora não, — respondeu Elena. — Espere até que cheguemos em casa. Então direi o motivo.



Não posso acreditar — disse Bonnie uma hora mais tarde. — Quero dizer, acredito, mas não posso acreditar. Não de Caroline.
É Tyler — disse Elena. — Foi ele que teve o grande plano. Depois dizem que os homens não se interessam por diários. 
Na verdade, devíamos agradecer — comentou Meredith. — Graças a ele pelo menos temos até o Dia do Fundador para fazer alguma coisa. Por que vai ser no Dia do Fundador, Elena?
Tyler tem algo contra os Fell. 
Mas estão todos mortos — disse Bonnie.
Bom, isso não parece importante para Tyler. Lembro que ele também falou dele no cemitério quando olhávamos a tumba dele. Acha que roubaram de seus antepassados o lugar que lhes corresponde como fundadores da cidade, ou algo assim.
Elena, — disse Meredith em tom sério, — tem alguma coisa mais que possa prejudicar Stefan? Além da coisa do velho, quero dizer. 
Não é o suficiente? 
Com aqueles olhos firmes e escuros fixos nela, Elena sentiu o desconforto de um molestar em suas costas. O que Meredith estava perguntando?
Suficiente para tirar Stefan da cidade, como eles disseram, — concordou Bonnie.
Suficiente para que recuperemos o diário que Caroline tem em seu poder, — disse Elena. — A única questão é como. 
Caroline disse que tinha escondido em algum lugar seguro. Isso provavelmente significa sua casa. — Meredith mordeu o lábio pensativamente.
Ela só tem esse irmão que está na oitava, não é? E a mãe trabalha, mas vai comprar na Roanoke com assiduidade. Eles têm empregada? 
Por quê? — disse Bonnie. — O que isso importa? 
Bom, não queremos que entre ninguém enquanto roubamos a casa. 
Enquanto o que? — A voz de Bonnie se lançou em um agudo guincho. — Não pode está falando sério! 
O que sugere que possamos fazer, simplesmente sentar e esperar até o Dia do Fundador e deixar que leia o diário para toda a cidade? Ela roubou da sua casa. Simplesmente temos que trazê-lo de volta, — respondeu Meredith com exasperante tranquilidade.
Nos pegarão. Nos expulsarão do colégio..., se é que não vamos acabar na cadeia. — Bonnie virou a cabeça para Elena em atitude suplicante. — Diga, Elena.
Bom...
Honestamente, a perspectiva intranquilizava um pouco Elena. Não era tanto a ideia da expulsão, ou inclusive a cadeia, como a ideia de ser pega. O rosto altivo da Sra. Forbes flutuou ante seus olhos, cheio de justificada indignação. Logo mudou para o de Caroline, rindo com rancor enquanto sua mãe apontava com o dedo acusador para Elena. 
Além do mais, parecia tal... violação entrar na casa de alguém quando não tinha ninguém ali para remexer suas coisas. Odiaria que alguém lhe fizesse isso.
Entretanto, já haviam feito. Caroline violado a casa de Bonnie, e naquele momento teve em suas mãos a coisa mais íntima de Elena.
Vamos fazer, — disse Elena em voz pausada. — Mas faremos com cuidado.
Não podemos conversar? — Inquiriu Bonnie com tom débil, passando os olhos do rosto decidido de Meredith para o de Elena.
Não há nada o que conversar. Você vem — indicou Meredith. — Você prometeu, — acrescentou quando Bonnie tomou ar para voltar a discutir, e levantou seu dedo indicador.
O juramento de sangue foi só para ajudar Elena a conquistar Stefan! — Exclamou Bonnie.
Pense de novo — disse Meredith. — Você jurou que faria qualquer coisa que Elena pedisse em relação a Stefan. Não havia nada sobre um limite de tempo ou sobre “só até que Elena o consiga”.
Bonnie ficou boquiaberta. Olhou para Elena que quase sorria diferente dela.
Está certo, — respondeu, solenemente. — E você mesma disse “jurar solenemente com sangue significa que mantenha sua promessa aconteça o que acontecer”.
Bonnie fechou a boca e ergueu o queixo.
Ok, — replicou com tom sombrio. — Agora estou obrigada durante a minha vida a fazer o que Elena quiser que eu faça em relação a Stefan. Maravilhoso.
Esta é a última coisa que te pedirei, — disse Elena. — Prometo. Juro que...
Não diga isso! — interveio Meredith, repentinamente séria. — Não diga isso, Elena. Poderá lamentar mais tarde.
Agora você também está se afeiçoando com as profecias?  inquiriu Elena, e logo perguntou: — Então, como vamos conseguir a chave da casa de Caroline durante uma hora pelo menos?



Sábado, 9 de novembro

Querido diário:
Sinto por ter passado tanto tempo. Ultimamente tenho estado ou ocupada demais ou deprimida demais – ou ambas as coisas – para escrever.
Além do mais, com tudo o que aconteceu, tenho quase um medo de ter um diário. Mas preciso de alguém a quem recorrer, por que justamente agora não existe um só ser humano, uma só pessoa na Terra, a quem eu não esteja ocultando algo.
Bonnie e Meredith não podem saber a verdade sobre Stefan. Stefan não pode saber a verdade sobre Damon. Tia Judith não pode saber nada de nada. Bonnie e Meredith sabem sobre Caroline estar com o diário; Stefan, não. Stefan sabe da verbena que uso todo dia agora; Bonnie e Meredith, não. Inclusive que suas bolsas estão repletas dela. Uma boa coisa: parece funcionar, ou ao menos não voltei a andar sonâmbula pela noite. Mas seria uma mentira dizer que não tenho sonhado com Damon. Aparece em todos os meus pesadelos.
Minha vida está cheia de mentiras nesse momento, preciso de alguém com quem possa ser totalmente honesta. Vou esconder o diário embaixo da tabua solta do closet, de modo que ninguém o encontre, ainda que eu morra e esvaziem meu quarto. Além do mais algum dos netos de Margareth brincará ali dentro algum dia e vai levantar a tábua e tira-lo, mas até então, ninguém. Este diário é meu último segredo.
Não sei porque penso na morte e em morrer. Essa é a mania de Bonnie; é ela que seria romântico. Sei o que realmente é: não houve nada de romântico quando mamãe e papai morreram. Simplesmente, as piores sensações do mundo. Quero viver por muito tempo, casar com Stefan e ser feliz. E não há motivo para que não possa, uma vez que todos esses problemas fiquem para trás.
Exceto que há vezes em que me assusto e acredito nisso. E há coisas que não deveriam me importar, mas que preocupam. Como por que Stefan ainda leva o anel de Katherine pendurado no pescoço, embora eu saiba que me ama. Como por que nunca disse que me ama, apesar que eu saiba que sim. 
Não importa. Tudo sairá bem. Tem que sair bem. Então estaremos juntos e seremos felizes. Não há motivos para que não sejamos. Não há motivos para que não sejamos. Não há motivo.



Elena deixou de escrever, tentando manter as letras da página centradas. Mas só se bagunçavam mais, fechou o livro antes que uma lágrima acusadora pudesse cair sobre a tinta. Foi até o closet, levantou a tábua solta com uma lima para unhas e colocou o diário debaixo.



Levava a lima de unhas no bolso uma semana mais tarde, quando as três, Bonnie, Meredith e ela, se detiveram ante a porta dos fundos da casa de Caroline.
Depressa! — sibilou Bonnie desesperada, passando os olhos no pátio como se esperasse que algo saltasse entre elas. — Vamos, Meredith! 
Pronto, — disse Meredith quando a chave encaixou por fim corretamente na fechadura com a lingueta e a maçaneta cedeu com o giro de seus dedos.
Estamos dentro. 
Tem certeza que não estão em casa? Elena, e se voltarem cedo? Por que não podemos fazer isso outro dia, ao menos?
Bonnie, quer entrar de uma vez? Já falamos sobre isso. A empregada está sempre aqui durante o dia. E não voltarão cedo hoje, ao menos que alguém passe mal em Chez Louis. Agora vamos! — disse Elena.
Ninguém ousaria ficar doente no jantar de aniversario do Sr. Forbes. — disse Meredith com tom consolador a Bonnie enquanto a menor das meninas entrava. — Estamos a salvo. 
Se tem dinheiro o suficiente para ir a restaurantes caros, era de se pensar que deixariam umas luzes acesas — replicou Bonnie, negando-se a se deixar consolar.
Em si, Elena deu uma razão para isso. Parecia estranho e desconcertante vagar pela casa de outra pessoa na escuridão, e seu coração martelou asfixiantemente enquanto subiam as escadas. Sua palma, que se fechava na lanterna do chaveiro que mostrava o caminho, estava úmido e escorregadio. Mas além de todos os sintomas de pânico, sua mente continuava funcionando friamente, quase com indiferença.
Tem que estar em seu quarto, — disse. 
A janela de Caroline dava para a rua, o que significava que tinham que ser mais cuidadosas ainda para que não vissem nenhuma luz ali. Elena balançou o diminuto feixe da lanterna de um lado para o outro com a sensação de desalento. Uma coisa era planejar revistar o quarto de alguém, imaginar mentalmente a revisão eficiente e metódica das gavetas, e outra era está realmente ali de pé, rodeada pelo que parecia um milhão de lugares para esconder algo, e sentir medo de tocar em alguma coisa e Caroline perceber que estava mexido.
As outras duas garotas também estavam totalmente imóveis.
Talvez devêssemos ir para casa — sugeriu Bonnie em voz baixa.
Meredith não a contradisse.
Temos que tentar. Ao menos tentar — disse Elena, ouvindo o quão oca e baixa que soava sua voz.
Abriu com cuidado uma gaveta de uma cômoda alta e passou a luz por cima dos delicados montes de roupas intimas. Uns instantes de busca entre eles bastaram para comprovar que não havia nada parecido com livro. Colocou os montinhos de volta e fechou a gaveta. Logo depois soltou o ar.
Não é tão difícil — disse. — O que precisamos é dividir o quarto e revistá-lo, cada gaveta, cada móvel, cada objeto bastante grande para esconder um diário.
Ela assinalou o closet e a primeira coisa que fez foi apalpar as tabuas do chão com sua lima de unha. Mas as tabuas de Caroline pareciam estar todas bem pregadas e as paredes do armário embutido soaram sólidas. Procurando entre as roupas de Caroline, encontrou várias coisas que havia deixado a outra garota no ano anterior. Se sentiu tentada a levá-las mas, é claro, que não podia. Examinou os sapatos e os bolsos de Caroline, mas nada revelaram, inclusive arrastou uma cadeira até ali para investigar a estante superior do closet. 
Meredith estava sentada no chão examinando um monte de animais de pelúcia que haviam sido relegados junto a outras recordações infantis. A garota passou os largos e sensíveis dedos sobre cada um procurando fendas no material. Quando chegou a um poodle fofo, se deteve.
Eu lhe dei isso, — murmurou. — Acho que em seu décimo aniversário. Pensava que o tinha jogado fora.
Elena não pôde ver seus olhos, a própria lanterna de Meredith estava dirigida para o poodle. Mas soube como a amiga se sentiu.
Tentei fazer as pazes com ela — disse em voz baixa. — Tentei, Meredith, na Casa Maldita. Mas praticamente me disse que jamais me perdoaria por lhe tirar Stefan. Desejei que as coisas fossem diferentes, mas ela não quis deixar que fossem.
E agora é guerra. 
E agora é guerra — disse Elena, categórica e contundente.
Observou enquanto Meredith deixava o poodle em um lado e pegava o próximo animal; depois voltou para sua própria revista.
Mas não teve melhor sorte na penteadeira do que no closet. E a cada minuto que transcorria se sentia mais inquieta, com mais certeza de que estavam a ponto de escutar um carro chegando na entrada de acesso dos Forbes.
Não serve de nada — disse Meredith por fim, apalpando debaixo do colchão de Caroline. — Deve ter escondido... Espera. Há algo aqui. Sinto um canto.
Elena e Bonnie a olharam fixamente dos lados opostos do quarto, momentaneamente paralisadas.
Achei. Elena, é um diário! 
O alivio descendeu como uma exalação através de Elena e fez que se sentisse como um pedaço de papel enrugado que alisam e estiram. Podia voltar a se mover. Respirar era maravilhoso. Sabia, sabia todo o tempo que nada realmente terrível podia acontecer com Stefan. A vida não podia ser tão cruel, não com Elena Gilbert. Todos estavam a salvo agora. 
A voz de Meredith soou perplexa.
É um diário. Mas é verde e não azul. É o diário errado.
Quê?
Elena lhe arrancou o pequeno caderno e dirigiu sua lanterna sobre ele, tentando converter o verde esmeralda em azul safira. Não funcionou. Aquele diário era quase exatamente como o seu, mas não era o seu.
É o de Caroline — disse estupidamente, ainda sem querer acreditar.
Bonnie e Meredith se empoleiraram junto a ela. Todas olhavam o livro fechado e se olharam.
Pode haver pistas  disse Elena devagar.
É muito justo — concordou Meredith.
Mas foi Bonnie quem realmente tomou o diário e abriu.
Elena esquadrinhou por cima do seu ombro a letra pontiaguda e inclinada para trás de Caroline, tão diferente das maiúsculas de notas violetas.
Ao principio seus olhos não conseguiram focar bem, mas logo um nome lhe saltou a vista: Elena.
Espera, o que é isso?
Bonnie, que era a única que realmente estava em uma posição que permitia ler mais de uma ou duas palavras, permaneceu em silêncio um momento, movendo os lábios. Depois suspirou.
Escuta isso, — disse e leu: — Elena é a pessoa mais egoísta que já conheci. Todo mundo pensa que é equilibrada, mas é certo que seja só frieza. Dá nojo o modo como as pessoas babam por ela, sem pensar que ela jamais se importa com nada nem ninguém que não seja Elena.
Caroline disse isso? Olha quem fala!
Elena sentiu seu rosto ardendo. Era praticamente o que Matt disse quando ela ia atrás de Stefan. 
Vamos, tem mais — disse Meredith, dando tapinhas em Bonnie, que prosseguiu em tom ofendido.
Bonnie está quase igual de impossível esses dias, sempre tentando se fazer de importante. A última é fingir que é médium para que a gente a note. Se realmente fosse médium, descobriria que Elena só a está usando.
Houve uma pausa embaraçosa e logo Elena disse:
Isso é tudo?
Não, há algo sobre Meredith: Meredith não faz nada para detê-la. Na verdade, não faz nada a não ser observar. É como se não pudesse atuar; só pudesse reagir as coisas. Alem do mais, ouvi meus pais falarem sobre sua família..., não me surpreende que nunca os mencione. O que significa isso?
Meredith não se moveu e Elena via unicamente seu pescoço e seu queixo na tênue luz. A garota falou em voz baixa e firme.
Não importa. Continue olhando, Bonnie, procure algo sobre o diário de Elena.
Procure por volta de dezoito de outubro. Foi quando o roubaram, — indicou Elena, deixando de lado suas perguntas; já que as faria a Meredith.
Não tinha nenhuma anotação para dezoito de outubro nem o fim de semana seguinte. Nenhuma delas mencionava o diário.
Bom, então é isso — disse Meredith sentando-se atrás. — Este livro não serve. A menos que queiramos chantageá-la com ele.Você sabe, algo como que não mostremos o seu e ela não mostra o seu.
Era uma idéia tentadora, mas Bonnie detectou uma falha.
Não há nada ruim sobre Caroline aqui; não são mais que queixas sobre outras pessoas. Principalmente nós. Aposto que encantaria Caroline que fosse lido em voz alta no colégio. Animaria seu dia. 
Então, o que faremos com ele?
Devolvê-lo a seu lugar, — respondeu Elena com a voz cansada.
Passou a luz da lanterna pelo quarto, que a seus olhos parecia estar repleto de sutis diferenças em comparação com a que tinham encontrado.
Simplesmente teremos que continuar fingindo que não sabemos que ela tem meu diário e esperar outra oportunidade.
Concordo, — disse Bonnie, mas continuou olhando o livro dando risadas soltas de vez em quando e uma bufada ou um sibilar indignados. — Quer ouvir isso? — exclamou.
Não há tempo — disse Elena.
Havia dito algo mais, mas nesse momento Meredith falou e seu tom exigiu a imediata atenção de todo mundo.
Um carro.
Foi só um segundo para determinar que o veículo estava na entrada de acesso dos Forbes. Os olhos e a boca de Bonnie estavam abertos e redondos e a garota parecia paralisada ajoelhada junto a cama.
Anda! Vamos — disse Elena tirando-lhe o diário — Apaguem as lanternas e saiam pela porta dos fundos.
Já se moviam, Meredith estando a frente de Bonnie. Elena se deixou cair de joelhos e levantou o lençol da cama até o colchão de Caroline. Com a outra mão empurrou o diário para frente, encaixando-o entre o colchão e a parte que circundava a parte baixa da cama. As molas finalmente recobertas se cravavam no braço que estava abaixo, ainda pior era o peso do colchão que caia em cima. Deu ao livro mais alguns empurrões com os dedos e logo extraiu o braço debaixo do colchão, estirando o lençol para deixá-lo como estava. 
Deu uma olhada frenética de novo no quarto enquanto saia; não havia tempo para arrumar mais nada. Enquanto descia veloz e em silêncio as escadas, olhou a chave da porta principal.
Logo em seguida foi uma espécie de pega-pega espantoso. Elena sabia que não a estavam perseguindo deliberadamente, mas a família Forbes parecia decidida a esquadrinhar sua casa. Regressou por onde havia vindo enquanto luzes e vozes se materializavam no vestíbulo se dirigindo para as escadas. Foi até o interior da ultima entrada do corredor abaixo, e eles pareciam segui-la. Cruzaram o hall; estavam justo ante o quarto principal. Girou em direção ao banheiro, mas viu acender a luz de repente por baixo da porta fechada, cortando a fugida.
Estava atrapalhada. Os pais de Caroline podiam entrar a qualquer momento. Viu as portas envidraçadas que davam para a varanda e tomou sua decisão nesse instante.
Fora o ar era fresco e sua respiração arquejante resultava ligeiramente invisível. Uma luz amarela surgiu do quarto onde estava e se agachou a esquerda mantendo-se fora do caminho. Logo, o som que estava temendo se escutou com terrível claridade: o deslize da maçaneta da porta, seguida por um ondular de cortinas produzido ao abrir as portas envidraçadas.
Olhou ao redor freneticamente. A distância era grande demais para saltar e não havia nada que a segurasse na descida. Isso deixava só o telhado, mas não havia nada para subir. Contudo, algum instinto a fez tentar e já estava sobre o corrimão da varanda, procurando no tato algum lugar para subir quando uma sombra apareceu entre as vaporosas cortinas. Uma mão a separou, uma figura começou a sair e então Elena sentiu que algo agarrava com força sua mão fechando-se no seu pulso e içando-a para o alto. Deu um impulso automaticamente com os pés e se encontrou no telhado de telhas de madeira. Enquanto tentava tranquilizar a irregular respiração, olhou adiante agradecida para ver quem era seu salvador... e ficou gelada.

O confronto - Capitulo 9:

Sei que vou lamentar ter perguntado, — disse Matt, tirando os olhos avermelhados fixos na estrada para Stefan sentado no assento do passageiro junto a ele. — Mas, pode me dizer por que queremos esta super-especial, não disponível localmente, erva daninha semi-tropical para Elena?
Stefan olhou o assento posterior, onde repousavam os resultados da busca através de sebes e zonas herbáceas. As plantas, com seus talos verdes ramificados e suas pequenas folhas dentadas, se pareciam com ervas daninhas mais do que qualquer coisa. Os secos restos de flores nos extremos dos talos eram quase invisíveis, e ninguém podia fingir se quer que os brotos eram decorativos.
E se eu dissesse que podem ser usadas para produzir um colírio totalmente natural? — Sugeriu depois de um momento de reflexão. — Ou um chá de ervas?
Por quê? Estava pensando em dizer algo parecido? 
Na realidade, não. 
Bem. Porque se fosse, eu provavelmente te derrubaria com um soco. 
Sem olhar realmente para Matt, Stefan sorriu. Havia algo novo que se agitava em seu interior, algo que não fazia sentido durante quase cinco séculos, exceto com Elena. Aceitação. Cordialidade e amizade compartilhadas com outro ser humano que não conhecia a verdade sobre ele, mas que confiava nele de qualquer forma. Não estava seguro se merecia, mas não podia negar o que significava para ele. Quase se sentia... humano outra vez.


Elena contemplou fixamente a imagem no espelho. Não havia sido um sonho. Não por completo. As feridas no pescoço lhe provavam. E agora que as havia visto, advertiu-lhe a sensação de tontura, de letargia. 
Era sua culpa. Havia se preocupado tanto em advertir Bonnie e Meredith de que não convidassem conhecidos a entrar em suas casas... E havia se esquecido que ela mesma havia convidado Damon a entrar na casa de Bonnie. Tinha feito naquela noite em que havia organizado o jantar silencioso na mesa de Bonnie e gritada para a escuridão: — Entra.
E o convite iria se manter para sempre. Ele podia regressar a qualquer momento se quisesse, inclusive agora. Especialmente agora, que ela estava frágil e poderia ser hipnotizada facilmente para que voltasse a abrir a janela.
Saiu cambaleante do banheiro, passando junto a Bonnie no caminho ao quarto de hóspedes. Agarrou sua bolsa e começou a botar suas coisas nela.
Elena, não pode sair assim! 
Não posso ficar aqui,  respondeu.
Passou uma olhada no quarto procurando os sapatos, os descobriu perto da cama e foi até eles. Então se deteve, com um som abafado. Descansando sobre as roupas havia uma solitária pluma negra. Era enorme, horrivelmente enorme, real e sólida, com um grosso cunho de aspecto ceroso. Resultava quase obscena descansando ali sobre os brancos lençóis de percal. 
Uma sensação de náusea se apoderou de Elena, que virou a cabeça. Não podia respirar.
Ok, ok, — disse Bonnie. — Se se sente assim, farei papai levá-la para sua casa.
Você também tem que vir.
Elena acabara de vir a mente que Bonnie não estava mais segura naquela casa do que ela. — Você e seus entes queridos,  recordou, e girou para pegar o braço da amiga.
Tem que vir. Preciso de você comigo.
E no final ela foi. Os McCullough pensavam que estava histérica, que reagiu de forma exagerada, que possivelmente estava com uma crise nervosa. Mas finalmente cederam. O Sr. McCoullough levou ela e Bonnie em seu carro para a casa dos Gilbert, onde, sentindo-se igual um ladrão, abriu a porta com a chave e deslizou para o interior para não acordar ninguém.
Inclusive aqui, Elena não podia dormir, permaneceu acordada ao lado de Bonnie, que respirava pausadamente, olhando em direção da janela do quarto. No exterior, as ramas do galho chicoteavam contra o vidro, mas nada mais se moveu até o amanhecer.
Foi então que olhou o carro. Havia reconhecido o sibilante som do motor de Matt em qualquer parte. Alarmada, foi na ponta dos pés até a janela e olhou fora a quietude Alba de outro dia nublado. Logo correu escada abaixo e abriu a porta principal. 
Stefan! 
Em toda a sua vida, nunca tinha se alegrado tanto em ver alguém. Se abraçou a ele antes de que pudesse fechar a porta do carro. Ele balançou para trás pela força do impacto, e ela pôde perceber sua surpresa. No geral, não era tão intensa em público.
Hey! — disse ele, devolvendo o abraço com suavidade,  também me alegro, mas não esmague as flores.
Flores? 
Se afastou para olhar o que ele segurava; então, olhou-o no rosto. Logo depois a Matt, que emergia do outro lado do carro. O rosto de Stefan estava pálido e emaciado; o de Matt esgotado pelo cansaço e com os olhos avermelhados.
Será melhor que entre, — disse por fim, desconcertada. — Os dois estão com um aspecto horrível.
É verbena, — explicou Stefan mais tarde.
Elena e ele estavam sentados na mesa da cozinha. Através do vão aberto da porta, podia ver Matt estendido no sofá da sala de estar, roncando com suavidade. Se deixou cair ali depois de três tigelas de cereal. Tia Judith, Bonnie e Margareth seguiam no andar de cima, dormindo, mas Stefan manteve a voz baixa mesmo assim. 
Lembra do que eu disse sobre ela?, — perguntou.
Disse que ajuda a manter a mente clara inclusive quando alguém está usando o Poder para influenciar.
Elena se sentiu orgulhosa da firmeza que soou sua voz.
Correto. E essa é uma das coisas que Damon podia tentar. Pode usar o poder da sua mente inclusive à distancia, e pode fazer tanto se estiver acordada como se estiver dormindo.
As lágrimas inundaram seus olhos, e ela os baixou para ocultá-las, contemplando os largos e finos talos os restos secos das diminutas flores lilás nas pontas.
Dormindo?, — perguntou, temendo que nesse momento sua voz não estivesse tão firme.
Sim; poderia influenciar para que saia da casa, digamos, ou para que o deixe entrar. Mas a verbena deve impedi-lo. 
Stefan parecia cansado mas satisfeito consigo mesmo.
"Ah, Stefan, se você soubesse”, pensou Elena. O presente havia chegado com uma noite de atraso. Apesar de todos os esforços, uma lágrima caiu, gotejando sobre as folhas verdes.
Elena! — sua voz soou sobressaltada. — O que aconteceu? Me conta.
Tentava olhar seu rosto, mas ela inclinou a cabeça, pressionando-a contra seu ombro. Ele a rodeou com seus braços, sem tentar obrigá-la a levantar outra vez.
Conte-me, — repetiu em voz baixa.
Era o momento. Se ia contar alguma vez, devia ser agora. Sentia a garganta ardente e inflamada, e desejava deixar as palavras que levava dentro sair.
Mas não podia. “Não importa o que aconteça, não permitirei que briguem por mim”, pensou.
É só que... estava preocupada contigo,  conseguiu dizer. — Não sabia onde tinha ido ou quando ia voltar.
Devia ter te contado. Mas, isso é tudo? Não há nada mais que a esteja transtornando?
Isso é tudo.
Agora tinha que conseguir que Bonnie jurasse manter segredo sobre o corvo. Por que uma mentira sempre levava a outra?
Que devemos fazer com a verbena? — perguntou sentando-se para trás.
Mostrarei esta noite. Uma vez que tenha extraído o azeite das sementes, pode esfregar na pele ou adicionar na água da banheira. E pode colocar as folhas secas na bolsa e levá-la com você ou colocá-la embaixo da almofada pela noite.
Será melhor que dê a Bonnie e Meredith. Precisarão de proteção. 
Ele assentiu.
Por agora... — rompeu um galho e depositou na mão de Elena — limite-se a levar isto ao colégio com você. Vou voltar a pousada para extrair o azeite. — Calou um instante e logo disse: — Elena...
Sim?
Se cresse que iria servir de algo, eu iria. Não exporia você a Damon. Mas não creio que ele iria me seguir se eu fosse, não mais. Creio que poderia ficar... devido a você.
Nem pense em ir embora,  disse com ferocidade, alcançando os olhos dele. Stefan, isso é a única coisa que eu não poderia suportar. Promete que não fará, prometa-me.
Não te deixarei sozinha com ele, — replicou Stefan, que não era exatamente o mesmo.
Não servia de nada insistir mais.
Em vez disso, ele ajudou a acordar Matt e os acompanhou até a porta. Então, com um talo de verbena seca na mão, subiu as escadas e se preparou para ir para o colégio.
Bonnie bocejou sem parar durante o café e realmente não acabou de despertar até que estivessem na rua, andando para o colégio com uma brisa fresca as golpeando no rosto. Ia ser um dia frio.
Tive um sonho muito estranho esta noite, — disse Bonnie.
O coração de Elena deu um pulo. Já havia colocado um galhinho dentro da mochila da amiga, bem no fundo, onde Bonnie não podia vê-lo. Mas se Damon havia chegado a Bonnie na noite anterior...
Sobre o que? — Inquiriu, se apoiando. 
Sobre você. A vi de pé embaixo de uma árvore e o vento soprava. Por algum motivo, tinha medo e não queria se aproximar mais de mim. Parecia... diferente. Muito pálida, mas quase resplandecia. E então um corvo desceu voando da árvore, e você alongou o braço e o agarrou no ar. Foi tão rápida que parecia incrível. E continuava a olhar para mim, com essa expressão rara. Sorria, mas o sorriso me fez ter vontade de fugir. E logo retorceu o pescoço do corvo e este morreu.
Elena que havia escutado aquilo com crescente horror, respondeu:
É um sonho repugnante.
É, não é? — disse Bonnie com serenidade. — Me pergunto o que significa. Os Corvos são pássaros de mau agouro nas lendas. Podem predizer a morte.
Provavelmente sabia o quão transtornada que estava depois de encontrar aquele corvo no quarto.
Sim,  disse Bonnie, — exceto por uma coisa. Tive o sonho antes de que nos despertassem com os gritos.



Esse dia, na hora do almoço, havia outro pedaço de papel violeta no mural de comunicados. Este, não obstante, limitava-se a dizer: OLHE NOS ANÚNCIOS PESSOAIS. 
Que anúncios pessoais? — perguntou Bonnie.
Meredith que se aproximava naquele momento com um exemplar Wildcat Weekly, o jornal da escola, proporcionou a resposta.
Viram isso? — inquiriu.
Estava na sessão pessoal, completamente anônimo, sem titulo nem assinatura. 
Não suporto a idéia de te perder. Mas ele está sempre tão infeliz com alguma coisa, e se não disser o que é, se não confiar em mim o suficiente, eu não vejo esperança para nós.
Ao ler, Elena sentiu um estalo de energia nova por cima de todo cansaço. Deus, como odiava quem estava fazendo aquilo. Se imaginou batendo neles, apunhalando-os, contemplando como cairiam. E logo, vividamente, imaginou algo mais. Agarrar por trás dos cabelos do ladrão e afundar os dentes na garganta indefesa. Foi uma visão estranha e inquietante, mas por um momento pareceu quase real.
Ela notou que Meredith e Bonnie olhavam para ela.
Bem? — disse, sentindo-se ligeiramente incomoda.
Me dei conta de que não escutava  suspirou Bonnie. — Acabo de dizer que continua sem parecer obra de Da... obra do assassino. Não creio que um assassino possa ser tão mesquinho.
Por mais que eu odeie concordar com ela; ela está certa — disse Meredith. Isso cheira a alguém sorrateiro. Alguém que guarda rancor de modo pessoal e realmente quer fazer você sofrer. 
Havia acumulado saliva na boca de Elena, e ela a tragou.
Também alguém que esteja familiarizado com o colégio. Tiveram que preencher um formulário para pôr uma mensagem pessoal em uma das aulas de jornalismo disse.
E alguém que sabia que tinha um diário, supondo que o roubaram de propósito. Talvez estivesse em uma das suas aulas aquele dia que trouxe para o colégio. Lembra? Quando o Sr. Tanner quase o pegou — acrescentou Bonnie.
A Srta. Halpern conseguiu pagá-lo; inclusive leu uma parte em voz alta, algo sobre Stefan. Isso foi justo depois que Stefan e eu começamos a sair. Espera um minuto. Essa noite em sua casa, quando roubaram o diário, quanto tempo esteve fora da sala? 
Só uns poucos minutos. Yangtze havia deixado de latir, e foi até a porta para deixá-lo entrar, e... — Bonnie apertou os lábios e se deu de ombros.
Assim que o ladrão tinha estado familiarizado com a casa — disse Meredith rapidamente, — ou ele ou ela, não haviam entrado, pegou o diário e saiu antes que voltássemos. Muito bem, então, estamos procurando alguém sorrateiro e cruel que provavelmente está nas suas aulas, Elena, e que provavelmente está familiarizado com a casa de Bonnie. Alguém que tem algo pessoal contra você e não parará até te prejudicar... Ah, meu Deus!
As três olharam fixamente.
Tem que ser — murmurou Bonnie. — Tem que ser. 
Somos tão estúpidas! Tínhamos que ter visto logo. — disse Meredith.
Para Elena significou a repentina compreensão de que toda a ira que havia sentido antes não era nada comparada com a ira que era capaz de sentir. A chama de uma vela comparada com o sol.
Caroline — disse, e apertou os dentes com tanta força que a mandíbula doeu.
Caroline. Naquele instante Elena realmente se sentiu capaz de matar a garota de olhos verdes. Tinha saído correndo para tentar fazê-lo se Bonnie e Meredith não a tivessem detido.
Depois da aula  disse Meredith com firmeza, — quando podermos levá-la a algum lugar privado. Espere só isso, Elena.
Mas quando foram para o refeitório, Elena reparou na cabeça de cabelos castanho avermelhado que desaparecia pelo corredor de arte e musica. E recordou algo que Stefan havia dito tempos atrás naquele mesmo ano, sobre que Caroline o levava a aula de fotografia na hora do almoço. Para ter intimidade, dissera Caroline.
Vocês duas continuem; esqueci algo — disse enquanto Bonnie e Meredith tinham comida em suas bandejas do refeitório.
Logo fingiu estar surda enquanto saia rapidamente e retrocedia até a ala de arte.
Todas as salas estavam escuras, mas a porta da sala de fotografia não estava fechada com chave. Algo fez Elena girar a maçaneta com cautela e se moveu silenciosamente ao estar lá dentro, no lugar de entrar de uma vez para iniciar uma briga como havia planejado. Caroline estava ali dentro? Se estava, o que estava fazendo na escuridão sozinha? 
No princípio, a sala parecia estar vazia. Logo, Elena olhou o murmúrio de vozes que saíam de um pequeno oco situado ao fundo e viu que a porta do quarto escuro estava entreaberta.
Em silêncio, furtivamente, se encaminhou até encontrar o outro lado da entrada, e o murmúrio de sons se transformaram em palavras.
Mas como podemos estar seguros de que será ela a quem escolheram? Aquela era Caroline.
Meu pai está no conselho escolar. A escolheram, está certo — E aquela era a voz de Tyler Smallwood, cujo pai era advogado e estava em todos os conselhos que existiam. — Além do mais, quem mais podia ser? — prosseguiu. — O Espírito de Fell’s Church supõe ser inteligente, além de ter um bom tipo.
Pensa que não sou inteligente?
Eu disse isso? Olha, se quer que seja você que desfile vestida de branco no Dia do Fundador, ótimo. Mas se quer ver como tiram Stefan Salvatore da cidade devido o testemunho do diário de sua própria namorada...
Mas por que esperar tanto tempo?
A voz de Tyler soou impaciente.
Porque desse modo arruinará também os festejos. A festa dos Fell. Por que eles tinham que levar o crédito de haver fundado a cidade? Os Smallwood estavam aqui primeiro.
Ah, quem se importa quem fundou a cidade? Tudo o que eu quero é ver Elena humilhada perante todo o colégio.
E Salvatore.
O puro ódio e malicia da voz de Tyler fizeram Elena enlouquecer.
Terá sorte se não acabar pendurada em uma árvore. Tem certeza que as provas estão aí?
Quantas vezes tenho que dizer? Primeiro, disse que ela perdeu a fita dois de setembro no cemitério. Logo depois, disse que Stefan a recolheu esse dia e a guardou. A ponte Wickery está justo ao lado do cemitério. Isso significa que Stefan estava perto da ponte no dia dois de setembro, na noite que atacaram o velho. Todo mundo sabe que estava perto quando os ataques a Vicky e a Tanner. O que quer mais?
Jamais se sustentaria em um júri. Talvez devêssemos conseguir alguma prova que o comprometesse. Como perguntar a Sr. Flowers a que horas chegou em casa naquela noite.
Ah, quem se importa? A maioria das pessoas já o considera culpado. O diário fala de algum grande segredo que ocultava de todos. O pessoal captará a ideia.
O guarda em um lugar seguro?
Não, Tyler, o guardo na mesa do café. Até que ponto acha que sou estúpida?
O bastante estúpida para enviar a Elena notas que a põe sob aviso — olhou o papel do jornal. — Olha isto, é incrível. E tem que parar agora. E se ela deduzir quem o tem?
O que fará, chamar a policia?
Ainda quero que fique quieta. Espere até o Dia do Fundador, então verá como se derrete a princesa de gelo.
E direi ciao (tchau em italiano) a Stefan. Tyler... ninguém vai machucá-lo realmente, não é?
Quem se importa? — Tyler imitou o tom que ela havia usado antes — Você deixou isso para mim e meus amigos, Caroline. Limite-se a fazer sua parte, de acordo?
A voz de Caroline desceu até se converter em um sussurro gutural.
Me convença.
Depois de uma pausa, Tyler lançou uma risada.
Escutou o som de roupas e um suspiro. Elena girou e escapou da sala tão silenciosamente como havia entrado.
Foi para o seguinte corredor e logo se apoiou contra os armários que havia ali, tentando pensar.
Era quase demais para absorver tudo de uma vez. Caroline, que em uma ocasião tinha sido sua amiga, a havia traído e queria vê-la humilhada perante todo o colégio. Tyler que sempre parecia mais um imbecil que uma ameaça autentica, planejava conseguir que tirassem Stefan da cidade... ou o matassem. E o pior era que estavam usando o próprio diário de Elena para fazer tudo isso.
Agora compreendia o inicio do sonho da noite anterior. Havia tido um sonho parecido no dia anterior que descobriu que Stefan havia desaparecido. Em ambos os casos, Stefan a havia olhado com olhos enraivecidos e acusadores, e logo depois havia jogado um livro em seus pés e lhe havia dado as costas.
Não era um livro. Era seu diário. Diário que continha provas que podiam ser fatais para ele. Em três ocasiões pessoas tinham sido atacadas em Fell’s Church, e nas três ocasiões Stefan havia estado na cena do crime. O que isso podia parecer para a cidade, a policia?
Não existia um modo de contar a verdade. Supondo que ela dissesse:

Stefan não é culpado. É seu irmão Damon, que o odeia e sabe o quanto que Stefan odeia a ideia de ferir e matar. E que tem seguido-o por todas as partes e atacado gente para que pensasse que talvez tivesse sido ele que o fizera, para enlouquecê-lo. E que está aqui na cidade, em alguma parte, o busquem no cemitério ou no bosque. Mas, ah, não procurem somente um garoto bem afeiçoado, porque poderia ser um corvo no momento. A propósito, ele é um vampiro.

Nem sequer ela acreditava. Soava absurdo.
Uma pulsada no lado do seu pescoço a recordou que era absurda a historia, na realidade. Se sentia estranha hoje, quase como se estivesse doente. Era mais que simplesmente a tensão e a falta de sono. Se sentia ligeiramente enjoada, e em algumas ocasiões o solo parecia esponjoso, cedendo embaixo dos seus pés e logo voltando a recuperar sua posição. Eram sintomas de gripe, exceto que tinha certeza de que não tinha nenhum vírus em sua corrente sanguínea.
Culpa de Damon, outra vez. Tudo era culpa de Damon, exceto o diário. Não tinha alguém a quem culpar por isso, a não ser ela mesma. Se ao menos não tivesse escrito sobre Stefan, se não tivesse levado o diário para o colégio. Se ao menos não o tivesse deixado na sala de Bonnie. Se ao menos, se ao menos...
Naquele momento, tudo que importava era que tinha que recuperá-lo.